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Automatizar não é digitalizar: a distinção que pode salvar ou afundar um projeto

Existe um princípio na engenharia de processos que deveria estar emoldurado na parede de toda sala onde se planejam projetos de automação: nunca automatize um processo que você não entende compl

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Equipo COBIZ
· · 8 min de leitura

Existe um princípio na engenharia de processos que deveria estar emoldurado na parede de toda sala onde se planejam projetos de automação: nunca automatize um processo que você não entende completamente, porque a automação vai executá-lo exatamente como ele foi desenhado, não como você acha que foi desenhado.

É um princípio que parece óbvio e que é violado com uma frequência surpreendente.

A automação de processos é, neste momento, uma das iniciativas com maior retorno potencial disponíveis para empresas de médio porte na América Latina. A distância entre o que a maioria das organizações poderia fazer com automação e o que de fato faz é enorme. Mas essa distância não se fecha simplesmente comprando ferramentas de automação. Ela se fecha entendendo o que significa automatizar bem, e quais erros transformam um investimento promissor em um projeto que gera mais problemas do que resolve.

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A confusão que sai caro

Na prática de muitas organizações, automatizar e digitalizar são usados como sinônimos. Não são, e confundi-los tem consequências concretas.

Digitalizar é transferir algo do mundo analógico para o digital. O formulário que era em papel agora é na tela. O arquivo físico agora está na nuvem. O relatório que era enviado por e-mail agora está em um dashboard. Tudo isso tem valor, mas é basicamente a mesma coisa feita de outra maneira. A lógica do processo não mudou. Só mudou o meio.

Automatizar é eliminar a intervenção humana na execução de um processo, substituindo-a por sistemas que seguem regras definidas. Quando é bem feito, o processo não só passa a ser feito de outra maneira: passa a ser feito mais rápido, com menos erros, sem depender da disponibilidade de pessoas específicas e com capacidade de escalar sem crescer proporcionalmente em custo.

A diferença importa porque os investimentos em cada caso são distintos, os resultados esperados são distintos e os erros possíveis são distintos.

Digitalizar sem automatizar produz processos mais modernos, mas igualmente lentos e dependentes de pessoas. Automatizar sem ter digitalizado corretamente produz sistemas que funcionam sobre bases instáveis. E o mais caro de tudo: automatizar um processo mal desenhado produz um processo mal desenhado que agora falha em maior velocidade e escala.

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O erro de automatizar o que deveria ser eliminado

Antes de decidir o que automatizar, há uma pergunta que poucas organizações se fazem com honestidade suficiente: este processo deveria existir?

Os processos têm uma tendência natural de acumular etapas que em algum momento fizeram sentido e que com o tempo se transformaram em inércia. A aprovação que foi acrescentada depois de um erro que aconteceu há dez anos. A validação manual que foi instalada porque o sistema original não era confiável e que continua ali mesmo que o sistema já tenha sido substituído. A etapa de "revisão" que na verdade é uma duplicação de trabalho que outra equipe já faz.

Quando se automatiza um processo sem questioná-lo primeiro, todas essas etapas desnecessárias também são automatizadas. O resultado é um processo mais veloz com o mesmo atrito interno, os mesmos custos operacionais escondidos e a mesma lógica deficiente, agora executada por uma máquina em vez de por uma pessoa.

O momento que antecede qualquer projeto de automação é o melhor para fazer a pergunta incômoda: por que este processo existe assim? Cada etapa agrega valor ou só transfere responsabilidade? O que aconteceria se alguma dessas etapas fosse eliminada? O processo está desenhado para servir ao cliente ou para proteger a organização internamente?

As respostas a essas perguntas às vezes revelam que o primeiro passo não é automatizar, mas redesenhar. E um processo bem redesenhado que depois é automatizado gera retornos muito maiores do que um mal desenhado que é automatizado com a tecnologia mais avançada disponível.

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Quais processos são candidatos reais à automação

Nem todo processo é igualmente candidato à automação. Existe um perfil de processo que responde bem à automação e um que não, e distingui-los antes de investir evita projetos que geram mais atrito do que eliminam.

Os processos com melhor perfil de automação compartilham algumas características: têm regras claras e relativamente estáveis, são executados com alta frequência, operam sobre dados estruturados e seu resultado é previsível diante de um conjunto de entradas definidas. Os processos de faturamento, conciliação contábil, gestão de aprovações internas, geração de relatórios periódicos e notificações transacionais entram nessa categoria na maioria das organizações.

Os processos que respondem mal à automação são aqueles em que a variabilidade é alta, em que o julgamento contextual é parte essencial da execução, em que as regras mudam com frequência ou em que o valor reside justamente na interação humana. Negociações comerciais complexas, gestão de situações de crise com clientes, tomada de decisões estratégicas com informação incompleta: automatizar esses processos não só é tecnicamente difícil, como conceitualmente incorreto. O objetivo não é eliminar o julgamento humano onde ele é valioso. É liberar tempo humano para que esse julgamento possa ser aplicado onde realmente importa.

A automação bem pensada não compete com as pessoas. Devolve tempo a elas.

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A ordem correta: mapear, redesenhar, automatizar

Existe uma sequência que os projetos de automação bem-sucedidos seguem de forma consistente e que os fracassados tendem a pular.

Primeiro: mapear o processo real, não o processo ideal.

Há uma distância quase universal entre como uma organização acredita que um processo funciona e como ele funciona de verdade na operação do dia a dia. Os manuais de procedimentos descrevem o processo ideal. A realidade inclui os improvisos que a equipe desenvolveu para lidar com as exceções, as etapas informais que não estão documentadas mas que todo mundo faz, e as variações entre pessoas que executam o mesmo processo nominalmente de maneiras diferentes.

Automatizar o processo ideal quando a operação real é diferente produz um sistema que a equipe não consegue seguir ou que falha diante das exceções reais que o mapa idealizado não considerou.

Segundo: redesenhar antes de automatizar.

Uma vez que o processo real está mapeado, a pergunta é qual é a versão melhorada que vale a pena automatizar. Isso implica eliminar as etapas desnecessárias, padronizar as variações, definir explicitamente como se lida com as exceções e validar que o processo redesenhado é executável antes de implementar a automação.

Essa é a etapa que mais projetos pulam porque parece lenta. Na prática, é a que mais economiza tempo no fim.

Terceiro: automatizar com o nível de tecnologia correto.

Nem toda automação requer IA. Nem toda automação requer RPA. Muitos processos podem ser automatizados com ferramentas de workflow simples, com scripts básicos ou com a configuração correta dos sistemas que a organização já tem. O princípio é sempre escolher a tecnologia mínima suficiente para resolver o problema, não a mais sofisticada disponível.

A sofisticação tecnológica adiciona complexidade de implementação, custo de manutenção e fragilidade diante de mudanças no ambiente. Uma automação simples que funciona de forma confiável durante anos gera mais valor do que uma solução elegante que requer intervenção técnica constante.

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A sustentabilidade como critério de sucesso

Um aspecto que os projetos de automação frequentemente não consideram até que ele vire um problema: a manutenção.

Os processos de negócio mudam. Os sistemas subjacentes são atualizados. As regras do negócio evoluem. Cada uma dessas mudanças pode quebrar uma automação que foi desenhada para um contexto que já não existe. E quando a automação falha, o processo que dependia dela para ou gera erros que alguém precisa corrigir manualmente, às vezes sem saber exatamente o que falhou.

As organizações que constroem capacidades de automação sustentáveis desenham desde o início pensando na manutenção: documentam cada automação, estabelecem alertas diante de falhas, definem quem é responsável por mantê-la atualizada e criam processos de fallback para quando o sistema falha.

Isto não é um detalhe técnico. É a diferença entre uma automação que gera valor durante anos e uma que gera uma crise seis meses depois do lançamento.

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Saber por onde começar

Para a maioria das organizações, o maior obstáculo não é a tecnologia nem o orçamento. É saber por onde começar de forma que o primeiro projeto gere resultados visíveis, construa confiança interna e estabeleça as bases para as automações mais complexas que virão depois.

Isso requer um diagnóstico que identifique quais são os processos com maior potencial de automação no contexto específico de cada organização, que nível de maturidade tecnológica e de dados a organização tem para sustentar diferentes tipos de automação, e qual é a sequência de implementação que maximiza o retorno com o menor risco de execução.

COBIZ Analyst gera exatamente esse diagnóstico: uma avaliação de escalabilidade técnica que identifica as oportunidades de automação com maior impacto, o nível de preparo real da organização e o caminho mais curto entre o estado atual e uma operação que escala sem crescer proporcionalmente em custo.

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O resultado que importa

No fim, o critério que deveria guiar qualquer decisão de automação é simples: este projeto vai permitir que a organização faça mais com o que tem, ou vai simplesmente fazer a mesma coisa de outra maneira?

Se a resposta for a primeira, mais volume sem mais custo, mais velocidade sem mais pessoas, mais consistência sem mais supervisão, a automação faz sentido. Se a resposta for a segunda, é preciso voltar ao processo antes de voltar à tecnologia.

Automatizar bem não é complicado. Mas também não é tão simples quanto comprar a ferramenta certa. É um processo de diagnóstico, desenho e execução que, quando feito com rigor, transforma a estrutura de custos de uma organização de forma permanente.

Essa é a promessa real da automação. Não a velocidade. A capacidade de escalar.

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Existem processos na sua organização que deveriam ser automatizados mas continuam sendo manuais? A resposta a essa pergunta é o ponto de partida de uma conversa que vale a pena ter.

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Equipo COBIZ

Equipo Editorial

Equipo de COBIZ, consultoría de transformación digital y eficiencia operacional para PyMEs en Estados Unidos, España y LATAM.

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