A cultura que trava a transformação digital não faz barulho. Opera em silêncio.
Há uma cena que se repete em organizações de todos os tamanhos e setores quando um projeto de transformação digital não gera os resultados esperados. Os líderes revisam o sistema implement
Há uma cena que se repete em organizações de todos os tamanhos e setores quando um projeto de transformação digital não gera os resultados esperados. Os líderes revisam o sistema implementado: funciona corretamente. Revisam o orçamento investido: foi suficiente. Revisam o plano de implementação: foi executado conforme o previsto. E, no entanto, seis meses depois do lançamento, a equipe continua trabalhando como antes. O novo sistema existe, mas ninguém o usa de forma consistente. Os velhos hábitos voltaram, silenciosamente, como se a transformação nunca tivesse acontecido.
A conclusão habitual é que "houve resistência à mudança". E é verdade, mas incompleta. A resistência à mudança não é um fenômeno misterioso nem irracional. Tem causas concretas, manifestações específicas e, sobretudo, tem solução quando é tratada pelo que é: um problema de cultura organizacional, não de tecnologia.
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O que a cultura faz que a tecnologia não consegue desfazer
A cultura organizacional é a soma dos comportamentos que uma organização recompensa, tolera e pune na prática. Não nos seus valores declarados nem nos seus manuais de procedimentos. No que realmente acontece quando ninguém está olhando formalmente.
Uma organização que diz valorizar as decisões baseadas em dados, mas onde o diretor que grita mais alto na reunião sempre consegue o que quer, tem uma cultura de intuição, não de dados. Um sistema de analytics nessa organização não vai mudar essa dinâmica. Vai existir em paralelo, consultado ocasionalmente para justificar decisões que já estavam tomadas.
Uma organização que diz querer inovar, mas onde os erros são punidos publicamente, tem uma cultura de aversão ao risco. As ferramentas ágeis e os processos de experimentação que forem implementados nessa organização vão encontrar uma resistência passiva sistemática que não precisa se organizar: cada pessoa, individualmente, vai escolher a segurança do método conhecido em vez do desconforto do método novo.
Essa é a razão pela qual a tecnologia não transforma culturas. As culturas digerem as tecnologias. Adaptam-nas aos seus padrões existentes, neutralizam-nas quando ameaçam o equilíbrio de poder estabelecido e as abandonam quando o incentivo de usá-las é menor que o custo de mudar.
A transformação digital real exige mudar os padrões culturais que determinam como a organização se comporta. E isso é muito mais difícil, mais lento e mais pessoal do que implementar qualquer sistema.
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As três formas como a cultura trava a transformação
Nem toda resistência cultural se manifesta da mesma maneira. Entender as diferentes formas que ela assume é o primeiro passo para enfrentá-la com eficácia.
A resistência declarada é a mais visível e, paradoxalmente, a menos perigosa. É a pessoa que, na reunião, diz que o novo sistema é desnecessário, que o processo anterior funcionava bem ou que essa mudança não vai melhorar nada. É incômoda, mas é honesta. Permite abrir uma conversa, tratar das preocupações reais e, muitas vezes, descobrir objeções legítimas que a equipe de implementação não tinha considerado.
A resistência passiva é mais sutil e mais cara. É a equipe que concorda com a cabeça no treinamento, que diz entender o novo processo, mas que na operação do dia a dia volta gradualmente aos velhos hábitos. O formulário digital que é preenchido pela metade. O dashboard que é aberto na reunião semanal para mostrar que está sendo usado, mas que ninguém consulta de verdade antes de decidir. A planilha de Excel que "temporariamente" é mantida em paralelo ao novo sistema e que, seis meses depois, continua sendo a referência real.
A resistência estrutural é a mais difícil de enxergar porque não está nas pessoas, mas em como o trabalho está organizado. Os incentivos que recompensam o volume de atividade, mas não os resultados. Os processos de aprovação que tornam mais lento adotar algo novo do que continuar fazendo o de sempre. As estruturas de poder onde a informação é um ativo pessoal e compartilhá-la em sistemas acessíveis significa perder influência. Nenhuma ferramenta nova consegue prosperar em uma estrutura que a contradiz.
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O papel da liderança que ninguém menciona nos planos de transformação
Os planos de transformação digital dedicam páginas à tecnologia a implementar, aos processos a mudar e aos indicadores de sucesso a medir. Raramente dedicam o mesmo espaço a descrever quais comportamentos específicos se esperam dos líderes em cada etapa do processo.
É uma omissão cara, porque o comportamento da liderança é o sinal cultural mais poderoso que existe em uma organização. Mais poderoso do que qualquer comunicado interno, do que qualquer programa de formação e do que qualquer política documentada.
Quando o diretor-geral usa o dashboard na reunião do conselho e faz perguntas que só os dados podem responder, está comunicando algo que nenhum e-mail interno consegue comunicar com a mesma eficácia: nesta organização, as decisões são tomadas com base em evidências.
Quando esse mesmo diretor toma uma decisão importante com base na sua intuição e descarta os dados que a contradizem, está comunicando o contrário, independentemente do que diga o plano de transformação digital.
Os líderes que entendem isso não tratam a mudança cultural como um problema de comunicação. Tratam-na como um problema de comportamento próprio. A pergunta que fazem não é "como fazemos a equipe adotar isso?", mas "o que nós precisamos fazer de forma diferente para que a equipe tenha razões concretas para mudar?"
É uma pergunta mais incômoda. E produz resultados mais duradouros.
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Construir cultura digital não é um projeto paralelo
Um dos erros mais frequentes na gestão da transformação digital é tratar a mudança cultural como uma atividade separada do projeto tecnológico: o "plano de change management" que corre em paralelo, com sua própria linha de orçamento e sua própria equipe, enquanto o projeto técnico avança por conta própria.
Essa separação produz exatamente o resultado que tenta evitar. A tecnologia chega à organização antes de a cultura estar pronta para recebê-la. A equipe se depara com ferramentas novas sem ter tido tempo de processar por que elas existem, como mudam seu trabalho e o que se espera delas. A resistência se instala antes que qualquer programa de change management consiga enfrentá-la.
A mudança cultural não é um projeto paralelo à transformação digital. É o trabalho da transformação digital. E começa muito antes de a primeira ferramenta ser implementada.
Começa nas conversas de liderança onde se define por que se está transformando e que tipo de organização se quer construir. Continua no desenho dos processos novos, onde a equipe que vai usá-los tem voz em como eles são desenhados. Sustenta-se nas estruturas de reconhecimento que tornam visível e valioso o comportamento digital que a organização quer generalizar. E se consolida, com o tempo, quando as novas formas de trabalhar deixam de parecer novas e se tornam "como fazemos as coisas aqui".
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O que uma organização com cultura digital faz de diferente
Não é preciso teorizar sobre como é uma cultura digital saudável. Ela tem manifestações concretas e observáveis no comportamento cotidiano das organizações que a possuem.
Em uma reunião de gestão, alguém pergunta "o que os dados dizem sobre isso?" antes de uma decisão ser tomada. Não como formalidade, mas porque a resposta a essa pergunta genuinamente muda o resultado.
Quando um processo novo gera problemas nas primeiras semanas, a equipe os reporta e trabalha para melhorá-lo em vez de voltar silenciosamente ao processo anterior. O erro é informação, não motivo de punição.
Quando uma ferramenta não está funcionando como esperado, a conversa é sobre como melhorá-la, não sobre quem tem culpa de ela não funcionar.
Quando um colaborador propõe uma forma mais eficiente de fazer algo usando tecnologia, tem canais formais para isso e encontra uma resposta real, não uma caixa de sugestões que ninguém revisa.
Nenhuma dessas manifestações acontece por acaso. Todas são o resultado de decisões deliberadas sobre quais comportamentos recompensar, quais estruturas criar e como exercer a liderança no dia a dia.
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O diagnóstico cultural como ponto de partida
Antes de investir em tecnologia, as organizações com maior probabilidade de transformação bem-sucedida investem em entender seu ponto de partida cultural: qual é o nível real de disposição à mudança na equipe, onde estão os focos de resistência mais críticos, quais estruturas de incentivos estão alinhadas com a transformação e quais a contradizem.
Esse diagnóstico é parte central do que avalia o COBIZ Analyst: não só a infraestrutura tecnológica e a maturidade dos processos, mas a preparação organizacional real para absorver e sustentar a mudança. Porque sem essa preparação, a melhor tecnologia disponível acaba sendo um investimento que a cultura digere em silêncio.
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A transformação que ninguém vê
As transformações digitais mais bem-sucedidas que existem não são as que geram mais barulho no momento do lançamento. São as que, dois anos depois, fazem a organização operar de uma maneira que teria parecido impossível no ponto de partida.
Isso não acontece pela tecnologia implementada. Acontece porque alguém naquela organização entendeu que a tecnologia era o meio e que o fim era mudar como as pessoas trabalham, decidem e colaboram. E que essa mudança não se decreta nem se instala. Constrói-se, com paciência, com consistência e com a disposição da liderança de mudar seu próprio comportamento antes de pedir à equipe que mude o dela.
A cultura que trava a transformação digital não faz barulho. Mas a cultura que a impulsiona também não. Opera de forma igualmente silenciosa, um comportamento de cada vez, até que um dia a nova forma de trabalhar é simplesmente a forma de trabalhar.
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A transformação digital mais importante que uma organização pode fazer é a que acontece nas pessoas que a compõem. Todo o resto é consequência.
Equipo COBIZ
Equipo Editorial
Equipo de COBIZ, consultoría de transformación digital y eficiencia operacional para PyMEs en Estados Unidos, España y LATAM.
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